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Custos e o mundo real: Figma, Adobe, Tokens e alternativas Open Source
IA & Processos

Custos e o mundo real: Figma, Adobe, Tokens e alternativas Open Source

O mercado de design e produtos digitais passa por um dilema complexo. Será que vale a pena trocar Figma, Adobe e outras ferramentas consolidadas por soluções baseadas em GenAI? Na ponta do lápis, o custo alto dessas licenças tradicionais é maior ou menor do que a conta imprevisível dos tokens de inteligência artificial?

Começo com uma provocação necessária. Acredito que o Figma virou o Photoshop da década passada, um museu de arquivos estáticos que não rodam no mundo real e apenas geram retrabalho para a engenharia. O problema não é apenas o valor da mensalidade, mas o fato de pagarmos caro por ferramentas que não acompanham a exigência atual de construir interfaces vivas, integradas ao front-end e movidas por IA.

Vamos às contas para um time enxuto de 10 pessoas. No plano Organization do Figma, a licença custa 45 dólares mensais por editor, saltando para 75 dólares no plano Enterprise quando a empresa precisa de governança de Design System e segurança avançada. Só nisso são 750 dólares por mês, ou 9 mil dólares ao ano — cerca de 45 mil a 50 mil reais na cotação atual, sem contar os assentos extras de Dev Mode e o consumo de créditos de IA do Figma Make.

Quando somamos a suíte corporativa da Adobe, que cobra entre 80 e 90 dólares mensais por usuário, adicionamos mais 10 mil dólares anuais na conta, o que representa outros 50 mil reais. Juntas, essas duas assinaturas arrancam quase 100 mil reais por ano do caixa apenas para sustentar o desenho de telas e imagens estáticas que ainda precisarão ser reconstruídas do zero pelos desenvolvedores. Se a equipe tentar resolver essa limitação plugando APIs comerciais de IA sem critério, o cenário piora, pois cada bateria de testes ou interação mais agressiva de jornada vira uma surpresa desagradável na fatura do cartão no fechamento do mês.

A saída óbvia parece ser migrar tudo para o modelo aberto e construir direto em código, cortando essas mensalidades na raiz. Porém, ninguém deve se iludir achando que o ecossistema livre sai de graça.

A diferença fundamental está na natureza do gasto.

Para rodar modelos abertos como Llama ou DeepSeek sem travar a operação, o dinheiro sai do aluguel eterno de licenças e vira investimento em infraestrutura própria. Isso exige máquinas mais fortes com 32GB de memória unificada ou o uso de servidores dedicados, além de profissionais maduros que entendam a lógica do front-end para auditar a sintaxe gerada e resolver problemas sem depender do suporte de um gerente de contas.

Apesar desses desafios técnicos, esse investimento se paga rapidamente porque elimina o intermediário. O artefato gerado pelo designer deixa de ser um desenho descartável e passa a ser o próprio código em React ou Tailwind que vai para produção.

Além da economia financeira no médio prazo, essa virada resolve um gargalo clássico de governança. Quem atua em bancos, seguradoras e ambientes severamente regulados sabe que homologar qualquer software novo na máquina do colaborador é uma via-crúcis que esbarra por meses em travas de compliance e segurança da informação. Tentar aprovar uma ferramenta de design na nuvem que envia telas estratégicas para servidores de terceiros é um pesadelo jurídico. Por outro lado, editores de código tradicionais, repositórios Git e a nuvem privada da própria instituição financeira já estão devidamente homologados pela engenharia.

Em vez de entrar na fila interminável de compras ou arriscar o vazamento de dados em chats gratuitos na internet, a liderança de design pode se aliar à arquitetura de tecnologia para plugar modelos abertos direto na infraestrutura da AWS ou Azure que a empresa já utiliza. O designer passa a prototipar em código dentro de um ambiente blindado, usando ferramentas que já passaram pelo crivo de segurança há anos.

Mas como equilibrar esses dois mundos sem cair em radicalismos?

A resposta real para quem gerencia o orçamento não é o extermínio total das ferramentas visuais, e sim a arquitetura de uma esteira híbrida muito bem dividida.

Em uma operação financeiramente inteligente, você não precisa pagar 10 licenças Enterprise do Figma e 10 da Adobe para todo o time. Você mantém apenas duas ou três licenças nas mãos dos arquitetos responsáveis pela criação pura de identidade visual e manutenção da base do Design System. Todo o restante da operação de produto — quem monta fluxos, testa hipóteses e cria novas telas baseadas em componentes que já existem — migra para o código aberto.

Da mesma forma, o uso de tokens pagos em APIs comerciais como Claude ou GPT fica restrito à etapa pesada de síntese de pesquisas e estruturação de regras complexas de negócio, onde a precisão analítica é crítica. Já a força bruta de geração de telas, variações de layout e testes contínuos roda em modelos abertos na infraestrutura já existente da empresa, a custo zero por requisição.

No final do dia, a discussão nunca foi sobre odiar o Figma ou declarar guerra contra a Adobe por birra. O ponto central é a eficiência de capital. Gastar seis dígitos ao ano para manter todo um time desenhando telas estáticas é mero comodismo operacional. Reduzir as assinaturas ao essencial e migrar a escala de produção para código aberto é o caminho para otimizar custos e entregar impacto real ao negócio.